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Pai perfeito e mãe perfeita

Pai perfeito e mãe perfeita

O casamento perfeito não existe. O quase perfeito sim. Tem amor e tem perdão. Não existem pais perfeitos nem mães perfeitas. Não há quem não saiba e não tenha dito entre amigos, mas o fato é que alguns pais e algumas mães são mais completos; e outros, menos. Como o exercício da paternidade e da maternidade é um aprendizado de humildade, não há pai que não possa ser melhor do que é nem mãe que não entenda que pode melhorar como pessoa, mãe e mulher. E é o que acontece com a maioria dos pais e mães. Melhoram com o passar do tempo e com o crescer dos filhos. Chegam ao que o rabino Hillel classificava como a fase do meu-teu/teu-teu. Chegam ao mais alto grau de gratuidade.

Depois, há outros — minoria, graças a Deus. Egoístas na juventude, adultos rabugentos e insuportáveis. Criaram uma família para o seu benefício e exigem que ela se adapte a seu ritmo. Dão a impressão de que criaram tijolos, que podem quebrar quando quiserem e colocar onde desejarem. Não importa o tamanho; se for preciso, mutilam e quebram para que o tijolo do qual se sentem donos absolutos se ajuste ao projeto. São homens ou mulheres com forte grau de histeria. Ou tudo é como querem ou todos sofrerão. Nunca lhes ocorre que possam ter ido longe demais nas exigências ou negligências.

Aprontam ao ex, usam de agressão e violência, ferem-se, ofendem-se diante dos filhos, demonstram cansaço de conviver com a outra pessoa. Nada mais esperam de sua família. Acabou a paz e a esperança. Se amor existe, é tênue como o último pedaço de vela. Alguns pioram com o passar do tempo. Como fruto que vai se deteriorando. Não fazem questão de melhorar em nada. Se, antes, eram os filhos pequenos que davam trabalho, agora são eles próprios, pais e mães sem perspectiva e nervosinhos demais, que dão trabalho aos filhos crescidos. Não por enfermidade — o que seria perfeitamente aceitável e compreensível —, mas por incapacidade de adaptação ao progresso da vida. Regridem à medida que o tempo passa.

Sobre esses pais em processo de deteriorização, que não aprendem nem aceitam querer aprender; que não têm a mínima intenção de se corrigir, poderiam ser escritos alguns livros amargos e pesados, mas seria, ainda, um tratado sobre a minoria. A maioria dos pais melhora à medida que os anos avançam; cresce em paciência, sabedoria e graça. Além deste livro, compus dois shows e cerca de cinquenta canções sobre o tema, por entender que um país melhora conforme melhoram a paternidade e a maternidade.

Enfim, quando pai e mãe aprendem a ler um ao outro e a ler os filhos, a ler a vida que os cerca e a vida que cerca os filhos, é porque, como um avião que decolou, começa agora o voo de cruzeiro da família. Está na rota e na altura certas, na direção e na velocidade adequadas. Agora é só questão de administrar e melhorar o voo. Pais são como águias — e águias, em geral, sabem voar e têm visão quase perfeita…

Padre Zezinho. Melhores filhos, melhores pais. São Paulo: Universo dos Livros, 2013.

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