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A paciência nos torna pais melhores

A paciência nos torna pais melhores

Deus envia as crianças não apenas para manter a raça, mas para expandir nossos corações e nos tornar generosos, amáveis e afetuosos.
Mary Howwitt

Um pai muito ocupado estava tentando não se atrasar para levar à escola sua filha de três anos. “Eu estava ficando impaciente porque ela ficava rindo em vez de colocar as meias. Por fim, perdi a paciência e gritei: ‘Anda! Estou falando sério. Pare de rir.’ Ela me olhou com a carinha zangada e me imitou: ‘Anda! Estou falando sério. Pare de rir.’ Naquele momento, eu me dei conta de que estava dando mais valor à velocidade do que ao prazer. O jeitinho sério da minha filha me fez rir. Ela voltou à carga: ‘E pode parar de rir. Estou muito zangada com você!’”

Existe algo mais encantador do que as crianças? Elas dizem coisas tão afetuosas, cobrem você de beijos e abraços, querem tanto agradar. Observar suas descobertas e avanços é sempre um prazer.

Existe algo tão exasperador quanto as crianças? Elas derramam suco de uva em seu tapete branco novinho em folha, fazem as mesmas perguntas repetidamente e transformam ações corriqueiras, como escovar os dentes, em incessantes lutas pelo poder. Estar perto delas pode ser um tormento.

Como todos os pais sabem, criar filhos requer inúmeras habilidades. Precisamos ser professores, disciplinadores, instrutores, amigos — e saber quando cada uma dessas habilidades deve entrar em cena. Além disso, frequentemente precisamos tomar decisões imediatas e resolver que atitude assumir, enquanto realizamos milhares de outras coisas.

Se isso já não fosse pressão suficiente, hoje, sabemos mais sobre os danos que podemos causar. Cem anos de pesquisas sobre o desenvolvimento emocional revelam que nós, pais, determinamos, pelo menos até certo ponto, se nossos filhos se tornarão seres humanos produtivos, capazes ou não de se tornarem bem-sucedidos no amor e no trabalho.

Nesse complexo processo de criar os filhos, a paciência é um dos nossos maiores aliados. Ela nos permite continuar a acalentar uma criança que está chorando há uma hora, ler a mesma história pela milionésima vez, reagir com calma quando nosso adolescente chega em casa com o cabelo roxo.

Como mãe, não houve um único dia em que a minha paciência não tivesse sido testada — e olha que eu tenho uma filha bem tranquila. Mas testar a nossa paciência faz parte do crescimento de nossos filhos. Pais e filhos passam a vida envolvidos em lutas: as crianças, para testar até que ponto conseguem ir; os pais, para criar um círculo de segurança e o ampliarem com sabedoria enquanto os filhos amadurecem.

Por tudo isso, a paciência é de enorme importância. Ela nos permite parar no meio dessa batalha entre independência e segurança para avaliar qual é a melhor atitude. Ela nos permite pensar antes de agir, o que é crucial nesse relacionamento em que temos tanto poder.

Nossos filhos estão nos pedindo para sermos mais pacientes. Em um estudo sobre o equilíbrio trabalho-vida, efetuado, em 1999, por Ellen Galinsky, descobriu-se que uma das coisas que a maioria das crianças desejava era que seus pais estivessem menos estressados quando chegassem em casa do trabalho.

Por mais que tentemos, jamais seremos pais perfeitos. Tudo bem, é assim mesmo. Mas precisamos nos empenhar para fazer o melhor possível. A paciência nos ajuda a alcançar este objetivo — sermos suficientemente bons para que nossas reações de amor, carinho e sabedoria sejam mais numerosas do que as negativas e prejudiciais.

RYAN, M. J. O poder da Paciência. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

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