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A estratégia da educação de cada filho

A estratégia da educação de cada filho

Se os princípios de educação valem para todos os filhos indistintamente, os métodos e as estratégias mudam dependendo da idade e da personalidade de cada criança e da experiência de cada casal. Evidentemente, tudo fica mais fácil quando os pais estão de pleno acordo sobre que linha seguir com os filhos — se serão mais conservadores ou mais liberais, por exemplo.

Uma das perguntas que ouço com mais frequência é se eu usava os métodos do programa Supernanny com os meus filhos. Eu estaria mentindo se dissesse que sim. Muito do que sei aprendi no cotidiano do trabalho como mãe e em escolas, quando eu precisava instrumentalizar o que conhecia da área de educação. Mais adiante, essas estratégias foram se aperfeiçoando com o programa de TV. O que eu e meu marido usávamos eram os princípios de autoridade, disciplina, respeito, organização, regras e rotina, entre outros. Usamos com nosso primeiro filho, com quem erramos muito; com o segundo, erramos menos; com o terceiro, fomos beneficiados pela experiência.

Os princípios resistem às maiores crises. Foi o que aconteceu com uma família que eu revisitei no programa. No primeiro episódio, ela se compunha do casal e três filhos. Entre esse episódio original e aquele especial, o casamento havia acabado. As crianças ficaram com o pai, que tinha assumido, sozinho, a educação delas. Tudo havia mudado na casa, menos os princípios de educação — ainda havia regras escritas e até o cantinho da disciplina. E, apesar das mudanças, os três filhos aceitavam tudo muito bem.

Quando o casal tem claros os princípios de vida que querem transmitir a seus filhos, esse aprendizado ocorre de maneira natural e rápida. Precisa haver convicção e perseverança da parte dos pais. Quando trabalhei em uma escola cristã, percebi um fato interessante: os valores que estavam sendo ensinados e praticados na escola começavam a fazer parte da personalidade das crianças, e essa transformação que começava nos alunos avançava família adentro, pois toda a vida familiar assimilava os princípios adquiridos em sala de aula. Os pais nos procuravam, felizes, dizendo: “Desde que vocês ensinaram a meu filho tal coisa, ele tem nos corrigido quando nos vê fazendo algo errado.”

Houve casos de crianças que levaram para casa o hábito de ler a Bíblia, e ofaziam com tanta naturalidade que os pais acabaram se convertendo.

Quando fui convidada para fazer a edição brasileira do Supernanny, senti-me muito gratificada. Confesso que o que me atraiu no projeto foi a possibilidade de continuar, de outra maneira, o trabalho que eu fazia nas escolas, e do qual gostava tanto. E até hoje me sinto feliz com isso. Recentemente, recebi um e-mail de uma família que visitei na primeira ou segunda temporada. Eles diziam quão gratos estavam por tudo o que acontecera de bom em sua vida, em tão pouco tempo. Era mais uma prova de que, quando o princípio de educação é compreendido e adotado, o trabalho de educar os filhos fica muito mais fácil.

Evidentemente, é preciso sabedoria para aplicar o método mais adequado a cada criança. Eu já tinha dois meninos quando ganhei a Luciana, e a diferença entre os sexos era evidente. No começo, eu achava que as estratégias seriam as mesmas, porque ela convivia e brincava o tempo todo com os irmãos, jogando bola, inclusive. Mas ela tinha seu tempo de ser totalmente menininha e brincar de bonecas.

As próprias crianças devem crescer sabendo que há diferenças entre irmãos, entre os direitos e deveres de um e de outro. Há certas coisas que uma criança de 10 anos pode fazer e seu irmão de 5 não. Na cabeça do mais novo, ele sempre está em desvantagem: é o irmão mais velho quem pode dormir mais tarde, quem pode mascar chiclete ou sair sozinho. Cabe aos pais equilibrar direitos e deveres e explicar que é do filho mais velho, e só dele, deveres como colocar o lixo para fora, por exemplo. E que os “privilégios” virão quando o caçula tiver idade para tanto, sem distinção, assim como virão novas regras, adequadas a cada faixa etária. Pode haver choro, birra e manha= em busca de “direitos iguais”, mas os pais devem ter convicção daquilo que falam e decidem sobre os filhos.

No Supernanny, houve um caso de um menino que passava o dia sozinho em casa, sem controle, fazendo o que queria. Ele tinha por volta de 10 anos e estudava pela manhã. Quando chegava da escola, sozinho, esquentava o próprio almoço, punha-se a fazer o dever de casa e depois passava a tarde, entediado, assistindo à TV, comendo e engordando. Quando a mãe chegava do trabalho, cansada, o menino ainda tinha de fazer a mamadeira e dar banho no irmão mais novo. Fiquei impressionada, porque o garoto era novo demais para tanta responsabilidade. Ele era tão carente que desabava a chorar toda vez que eu tentava conversar com ele.

Era urgente organizar a vida daquele menino. Seus pais eram classe média baixa, então estava fora de cogitação pagar cursos e atividades extras. A produção entrou em contato com um Centro de Educação Unificado próximo à casa daquela família e montamos uma agenda para as tardes daquele garoto, depois das aulas, até o momento em que a mãe o buscasse, voltando do trabalho. Ele, claro, adorou. Em pouco tempo, o menino passou a sentir-se bem cuidado, fez amigos e tornou-se mais saudável.

Houve um segundo caso, muito parecido, de um garoto de 7 anos que também passava a tarde em casa, em frente à TV, jogando video game e comendo o tempo todo. Não brincava, não fazia a lição, nem tomava banho.

Quando os pais chegavam do trabalho, ele tentava fazer tudo o que não havia feito durante o dia inteiro. Mas então era tarde, logo seria hora de dormir, porque todos acordavam cedo.

A família toda estava cansada daquela situação, cuja solução era bem simples. Era apenas uma questão de organizar a vida do menino, delegando-lhe responsabilidades e atividades, dentro das possibilidades da família. Em outras palavras, priorizar os métodos para tornar eficiente a educação que os pais pretendiam dar ao filho.

POLI, Cris. Pais responsáveis educam juntos. São Paulo: Mundo Cristão, 2011.

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