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Como educar crianças para pensar por conta própria

Como educar crianças para pensar por conta própria

Como afastar seus filhos do perigo cada vez mais próximo das drogas, do álcool, da violência? O que um pai pode fazer para distanciá-los das más companhias e assegurar que não seguirão opiniões nocivas de grupos ou gangues? É possível garantir a segurança de nossas crianças e adolescentes, seu crescimento saudável, transformá-los em adultos equilibrados, produtivos, norteados por valores morais e com respeito pelos outros? Como torná-
-los cidadãos conscientes de seus direitos e deveres? Como saber se eles seguirão um bom caminho?

A solução para tantas dúvidas e temores dos pais e dos professores talvez esteja em uma única resposta: prepará-los para pensar por conta própria; separando conscientemente boas e más condutas, bons e maus caminhos. Essa é a proposta da médica pediatra americana Elisa Medhus, autora do livro Como Educar Crianças para Pensar por Conta Própria, premiado nos Estados Unidos com o Parent’s Choice Awards, que seleciona produtos educacionais de alta qualidade, e pela Associação Nacional de Publicações em Educação (Nappa).

A Dra. Medhus dá respostas para quase cem problemas comuns na educação, desde colocação de piercing até guerras de manhas, oferecendo soluções práticas que encaminham a criança para a autodeterminação. A autora mostra também como educá-las desenvolvendo e estimulando atitudes simples e cotidianas de atenção e observação internas. Mas como? São sete estratégias para desenvolver tais qualidades:

1 Criar um ambiente familiar favorável às decisões independentes.
2 Ensinar as crianças como desenvolver um diálogo interno produtivo e evitar a autoilusão e as racionalizações.
3 Treiná-las para pensar nos outros.
4 Ensiná-las a desenvolver e a confiar em sua intuição.
5 Utilizar estratégias de aconselhamento que encorajem a autodeterminação.
6 Ajudar as crianças a desenvolver habilidades de autorrecuperação após derrotas, de modo que permaneçam autodeterminadas.
7 Educar as crianças para lidarem com diferentes influências externas de modo autodeterminado.

A pediatra diz que as ameaças e dificuldades enfrentadas pelas crianças na sociedade contemporânea derivam de uma única fonte: estamos criando nossos filhos para se orientarem pelo externo, e não pelo interno. “Estamos ensinando-os a fazer opções na vida para obterem aprovação e aceitação dos outros.” E completa: “Com isso, nossos filhos renunciam ao único dom que eleva seres humanos acima de todos as outras criaturas vivas — a capacidade de raciocinar por si próprio”.

Imagine, por um momento, como seria o mundo se todas as crianças fossem auto-orientadas: teríamos pessoas com capacidade de avaliar seus pontos fortes particulares, traduzi-los em papéis significativos e contribuir para a vida do grupo desempenhando esses papéis, pessoas que vivem de acordo com seus próprios princípios, e não de acordo com os princípios dos outros.

Por que algumas crianças que nasceram e viveram na favela tornam-se adultos produtivos, homens e mulheres de bem, muitas vezes de destaque na sociedade brasileira? É claro que a resposta é bastante complexa. Entretanto, será que não passa pela autodeterminação dessas pessoas, que não se deixaram contaminar pelo tráfico e pela bandidagem, caminho seguido por muitos por ser o mais fácil? Alguém lhes ensinou princípios e valores, enquanto as outras não tiveram a mesma sorte.

Compare isso com um mundo orientado para o exterior, em que pessoas se viram do avesso para conseguir as melhores posições no grupo, pisando nos outros e ignorando os próprios princípios morais ao longo do caminho. Dê mais um passo e imagine que está ao seu alcance, como pai ou educador, decidir qual desses caminhos a humanidade vai trilhar! É claro que não é nada fácil, mas é preciso tomar uma atitude antes que seja tarde. Conheça algumas ferramentas que vão ajudá-lo nesse desafio:

• Você precisa ser um modelo de comportamento. Não faz sentido longos sermões sobre os perigos das drogas enquanto você tem algum vício.
• Lembre-se: as coisas têm de fazer sentido e ser significativas para que o diálogo interior das crianças seja claro, eficiente e viável.
• Ensine seus alunos a resolverem seus conflitos com os outros pacificamente, pois eles precisam aprender que a violência nunca é uma solução aceitável para um problema!
• Alerte os pais sobre a atenção que precisam prestar aos sites que as crianças visitam na Internet. Se tiver de vigiá-los, que seja agora!
• Aconselhe os pais a não sobrecarregarem a agenda de seu filho para que ele não se torne um miniestressado. Esteja à disposição deles para interagir, para criar um vínculo profundo entre vocês.
• Transmita valores a seus alunos para que se sintam amados pelo que são, e não pelo que têm. Eles devem entender que os bens materiais são um subproduto — e não a causa — da felicidade e devem ser divididos e desfrutados com os outros.
• Mostre aos pupilos o real sentido do sexo: a expressão suprema do amor entre duas almas, que o sexo é natural e belo, não uma forma de escapar do tédio ou uma busca de prazer por meio dos cinco sentidos.
• Eduque as crianças sobre as desvantagens e os perigos da irresponsabilidade sexual.
• Instigue-os a assistirem programas. Não mostre a eles filmes em que os heróis ou as heroínas são reverenciados por sua precocidade sexual. O objetivo não é tornar seus filhos assexuados, mas conseguir que eles façam opções sobre a sexualidade por meio do diálogo interno, em vez de reagir às pressões do exterior.
• Ensine aos estudantes que a verdadeira atração não vem de um corpo e rostos perfeitos, mas, sim, da autoexpressão, da criatividade, da autoaceitação e da capacidade de mostrar amor, afeição e intimidade.

Se conseguirmos, em parceria, educar nossos alunos com uma atitude cooperativa, eles poderão crescer e mudar a sociedade, fazendo com que esta deixe de ser um monte de adversários e passe a ser um monte de amigos. Pode parecer utópico, mas está em nossas mãos. Tomar a estrada da auto-orientação, da harmonia, deve ser a regra — e não a exceção —, e os problemas do presente se tornarão lições do passado.

Revista Profissão Mestre. Ano 7, n. 73. Curitiba: Humana Editorial. Outubro, 2005.

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