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A influência da família no acompanhamento da aprendizagem dos filhos

A influência da família no acompanhamento da aprendizagem dos filhos

Silvera Nunes Gomes

Introdução

A escola se vê diante de vários problemas educacionais agregados à desordem, ao desrespeito às regras de conduta e à falta de limites dos alunos. Essa é considerada como responsabilidade da família que, por sua vez, deposita na escola a obrigação do fornecimento de educação familiar, transferindo responsabilidades que na verdade devem ser dos pais e invertendo os valores sociais da escola.

Entretanto, quando os pais participam ativamente da vida escolar dos seus filhos e se engajam, com interesse, no acompanhamento das atividades da criança, a tendência é de que os alunos se dediquem e se esforcem mais, além de se sentirem amados e apoiados. O pai que procura saber sobre a relação dos filhos com os professores, comportamento em sala de aula desempenho e dificuldades nas matérias, normalmente está disposto a ajudar o professor nos desafios da sala de aula, adotando medidas complementares em casa. Isso, inevitavelmente, promove uma melhoria na performance do aluno.

A parceria família e escola traz um impacto positivo não só na vida escolar do aluno, como também vivifica a escola. A instituição se torna um espaço mais útil e dinâmico na apresentação dos resultados da aprendizagem de cada aluno.

O papel da família na educação dos filhos

A família é a base da sociedade. Nesse sentido, cabe aos pais um papel fundamental na educação dos filhos. Os pais são os primeiros educadores e, desde o início, estão incumbidos do sustento material, cultural e espiritual das crianças. Esta é uma tarefa que os pais não podem transferir para alguém de modo algum. Somente os pais devem cuidar da formação ética e moral dos filhos e prepará-los para a vida. Segundo Carvalho (2006),

A família não é o único canal pelo qual se pode tratar a questão da socialização, mas é, sem dúvida, um âmbito privilegiado, uma vez que este tende a ser o primeiro grupo responsável pela tarefa socializadora. A família constitui uma das mediações entre o homem e a sociedade. Sob este prisma, a família não só interioriza aspectos ideológicos dominantes na sociedade, como projeta, ainda, em outros grupos os modelos de relação criados e recriados dentro do próprio grupo.

Apesar das dificuldades apresentadas por uma realidade cada vez mais fragmentada e individualista, muitos pais se esforçam para dar a seus filhos o afeto e a atenção necessários, e os conhecimentos de que precisam para serem pessoas de bem, com princípios e valores que os fazem assumir os desafios da vida com responsabilidade.

A presença dos pais na escola é um sonho de toda instituição, principalmente no que diz respeito à reunião para se tratar das notas do aluno e do comportamento do aluno, que, às vezes, são inadequados. Os responsáveis precisam enxergar que há certos alunos que necessitam sentir que seus pais estão por perto, observando o que eles estão fazendo e o que precisam fazer. Assim, Tiba nos informa:

Se a parceria entre família e escola se formar desde os primeiros passos da criança que estiver bem, vai melhorar ainda mais, e aquela que tiver problemas receberá a ajuda tanto da escola quanto dos pais (TIBA, 2012, p. 186).

Nota-se que, no conceito de Tiba, se a família atentar para a necessidade da sua presença e começar já nos primeiros anos de educação escolar das crianças, obterão ótimos resultados. Essa criança continuará mantendo esses resultados em qualquer segmento da educação. Tiba reforça ainda mais a importância de a família participar da vida escolar do aluno, pois, assim, este mostrará melhores resultados em toda a sua vida acadêmica. Mas, com a criança não tendo o aparato familiar, poderá escolher vários caminhos para seguir, uma vez que não terá uma referência para se espelhar.

Consequências da falta dos pais na escola

A ausência dos pais na escola pode, em alguns casos, produzir um efeito negativo na aprendizagem dos alunos. Pode gerar um canal aberto para que o aluno entre no mundo das drogas, o que, para a sociedade, vem custando muito caro. “Geralmente o usuário, no início, consegue esconder o vício das pessoas de sua casa e dos professores, mas não faz muita questão de ocultá-lo de amigos e colegas” (CURY, 2012).

É necessário que a família una força com os professores e a escola, e esta deve informar tudo o que se passa aos pais. Estes, por sua vez, devem procurar ajuda de profissionais para tentar solucionar problemas. Já disse Cury:

Não adianta o professor fazer sua parte se a orientação escolar não fizer a ela: verificar se os pais ou responsáveis tomaram alguma providência e qual foi a medida escolhida, acompanhando a evolução do tratamento por meio da observação mais apurada do comportamento do aluno em questão. Nesses casos, é importante a escola entrar em contato com o profissional encarregado do tratamento ou vice-versa, (CURY, 2012).

Na sociedade atual, cujos pais passam demasiado tempo no trabalho e muitas vezes se apegam a isso para não participar ativamente da vida escolar do filho, resolver determinados problemas da criança torna-se cada vez mais difícil. Os pais, achando que sabem o que está se passando, buscam e aplicam soluções para outros problemas. Como encontrar a saída do problema se a família não for assídua na escola? Tem que haver essa aproximação para encontrar a solução para o bem da criança.

Entendemos que é de fundamental importância a presença da família na escola, participando das atividades e interagindo com os professores, principalmente nos primeiros anos. Porque a criança está se afastando do ambiente do lar e então se sente insegura, afinal, tudo para ela é um mundo novo. “O papel dos pais é insubstituível”. (CURY, 2014, p. 29). A influência que a família pode oferecer dá criatividade sem limites aos filhos, e essas crianças estimuladas são seguras e disciplinadas no aprendizado, como diz a autora, Zagury:

Nós, pais, somos insubstituíveis. A escola faz um tipo de trabalho; a família, outro. Ambas se complementam de forma maravilhosa e incrível para o bem-estar e a formação integral das nossas crianças. Mas nem uma nem outra pode suprir todas as necessidades infantis e juvenis sem ser em conjunto (ZAGURY, 2002, p. 67).

Vale destacar que a presença da família é contada nos mínimos detalhes, como num momento de diálogo, na convivência, nos risos, nas trocas afetivas, nas refeições conjuntas, onde haja diálogo. Entende-se que o meio social no qual a criança vive é de extrema importância, pois provavelmente é nesse convívio que ela demonstrará resultados significativos, então, se a família e a instituição de ensino não favorecerem isso, provocarão a evasão pedagógica na criança. Para ponto de partida, a afetividade é muito importante no mundo do aprendizado pedagógico.

Considerações finais

É fundamental e importante uma mudança nas atitudes dos pais. Os pais devem promover estímulos ao aprendizado e aos valores de conduta de seus filhos, ou então irão ser estimulados por outros que têm valores diferentes e, em muitos casos, outras normas de convivência social. Os maiores estímulos que a família pode oferecer, independentemente de classe social, é amor, cuidado, atenção e apoio. Fornecendo esses sentimentos, a criança vai longe e alcançará altos objetivos.

Assim, a criança se sentirá segura para crescer intelectualmente, podendo se desenvolver com êxito no meio social e viver feliz e saudável. Vale destacar que estabelecer um horário para realizar as tarefas com a criança é muito importante porque é uma forma de estimular e acompanhar o que ela está aprendendo. Participar da aprendizagem da criança não se cumpre só na ação de deixá-la na porta da escola; é mais complexo: é levá-la até a porta da classe, conversar com o professor, saber de tudo o que ela está fazendo na escola e também participar sempre das reuniões escolares.

E educar, frise-se, é colocar limites.

Silvera Nunes Gomes é Mestre em Filosofia da Educação, professora alfabetizadora da Prefeitura Municipal de Petrolina, coordenadora da Educação do Campo do Estado de Pernambuco, diretora do Centro Educacional Aprendiz, professora de TCC de Pedagogia da Faculdade do Sertão – BA, professora de turmas da pós-graduação pelas Faculdades Montenegro. Autora do artigo TICS: O professor frente à nova era das informações, publicado em nossa edição n.90. E-mail: silvera.sng@hotmail.com

Referências
CARVALHO, M, E, P. Relações entre família e escola e suas e implicações de gênero. nº 110, julho/ 2000.Centro de Educação UFPB. Disponível em: . Acesso em: 05/03/16.
CURY, A. Pais inteligentes formam sucessores, não herdeiros. São Paulo: Saraiva, 2014.
______. Desenvolvimento da aprendizagem da criança, Fortaleza, 2012. Disponível em: .Acesso em: 03/03/16.
TIBA, I. Disciplina, limite na medida certa. São Paulo: Integrare, 2006.
ZAGURY, T. Escola sem conflito: parceria com os pais. Rio de Janeiro: Record, 2002.

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