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O que é educar?

O que é educar?

Educar é dar à criança as melhores condições para que ela se desenvolva física, mental, intelectual e afetivamente, explorando as suas potencialidades para ter uma oportunidade justa de ser feliz. É um processo em andamento, que acompanha cada fase do desenvolvimento da criança, segundo as suas necessidades.

No primeiro ano de vida, a principal tarefa da educação é transmitir confiança. Nenhuma criança nasce confiante ou desconfiada; isso ela aprende. E o aprendizado são todas as experiências pelas quais ela passa, desde o nascimento. Se ela se sentir protegida, segura, amada, se os pais são tranquilos e carinhosos, se suas necessidades básicas são satisfeitas, ela aprende a confiar.

Mas se tem uma experiência de vida ruim, sem amor e atenção, se mãe e pai são tensos e angustiados, por certo ela ficará insegura e desconfiada. Então, no começo, educar é dar amor e atenção e demonstrar isso muito claramente ao bebê, por meio de atitudes, de gestos de carinho, no tom das palavras, para que ele ganhe confiança. Confiante nos outros ele, muito provavelmente, terá confiança em si mesmo para enfrentar a vida.

Crianças desconfiadas raramente confiam em si mesmas e, sem confiança, experimentam menos, arriscam menos, aprendem menos, desenvolvem-se com mais dificuldade e mais devagar.

Quando o bebê começa a crescer, continuamos dando amor e atenção mas entramos na segunda fase da educação: liberdade e apoio. A criança pequena precisa perceber claramente que tem liberdade de movimentos e que pode experimentar. Ela precisa de espaço próprio e do apoio dos pais para engatinhar, ficar de pé, tentar os primeiros passos, explorar.

Quando o bebê começa a andar e a falar, entramos na terceira fase da educação: continuamos a dar amor e atenção, liberdade e apoio, mas é hora de cuidar da autonomia e dos limites. Quanto mais autonomia concedemos à criança, melhor para ela, que poderá experimentar mais e, inclusive, aprender com os insucessos.

Quando a criança pequena diz “neném que faz”, está lutando por mais espaço, mais autonomia, quer assumir responsabilidades, está defendendo um direito. Mas agora é hora de estabelecer regras de comportamento e depois limites.

Toda regra ou limite precisa ser claro, valer permanentemente tanto para o pai quanto para a mãe e não é conveniente abrir exceções, a não ser em situações raras e justificáveis. Se o limite é não dormir na cama dos pais, não o quebre, a não ser que a justificativa seja muito forte e, mesmo assim, é preciso deixar claro para a criança que aquela é uma exceção.

Também não é bom para a cabeça da criança e para o entendimento e aceitação do limite quando o pai diz “não” e a mãe, “sim”; ou vice-versa. Como entender a importância e a justiça daquele limite se ele vale para um e não para o outro, ou se vale apenas às vezes? Isso não quer dizer que pais e mães não possam ter opiniões diferentes, até em matéria de educação.

A falta de respeito do pai ou da mãe para com a opinião e o posicionamento do outro é que prejudica a criança. Na verdade, as chamadas “famílias unânimes” (em que geralmente as pessoas seguem a orientação do líder) não são boas para o desenvolvimento da criança, porque não desenvolvem nela o aprendizado do questionamento, da dúvida, a capacidade de desenvolver novas opiniões.

Bettelheim escreveu que “educar é amar” e que “mentir é deseducar completamente”. Uma relação sadia entre pais e filhos se faz principalmente pelo exemplo e sem mentiras, inclusive nos pequenos acontecimentos do dia a dia. Os pais não devem mentir, não devem sair às escondidas para que os filhos não chorem ao vê-los sair; eles sofrerão muito mais percebendo que foram enganados. Aprender a vencer frustrações é parte importante da educação para a vida e ninguém cresce confiante em meio à mentira e ao engano.

Criança sem espaços próprios e oportunidades justas para experimentar e superar obstáculos não terá confiança para tentar e vencer frustrações. Os pais precisam entender que a dor dos desejos frustrados e dos insucessos é menor e mais fácil de superar que a dor de ser enganada e de não poder confiar em si mesma. Toda criança precisa gostar de si mesma para desenvolver-se e para isto é preciso que elareceba amor, atenção, liberdade, apoio, que tenha autonomia e limites, além de viver em um ambiente de sinceridade.

Um casal tem ainda outros aspectos para cuidar, se quer educar bem os seus filhos: é preciso que haja uma boa relação, uma relação de amor entre eles. Crianças, mesmo bem pequenas, são capazes de perceber problemas de relacionamento entre os pais, sofrem com isso e têm um sério prejuízo de confiança. Além disso, é preciso que os pais sejam coerentes e consistentes.

Educar não é superproteger. Criança criada “na barra da saia” e com poucas oportunidades de resolver seus próprios problemas não desenvolverá uma boa autoimagem.

Qualidades da educação: coerência e consistência

Toda criança precisa, desde muito cedo, de pais coerentes e consistentes. Principalmente, quando começa a ser educada, a ouvir o “não” e a receber limites.

Ser coerente é dizer coisa com coisa, é ser bem claro para a criança, é não se contradizer, não mudar de opinião ou posição sem que haja uma razão forte e aparente, um bom motivo que possa ser explicado e que seja capaz de convencer a criança. A falta de coerência e a contradição constante deixam a criança confusa, insegura, sem saber ao certo os seus limites e quando é que eles valem, sem entender o que pode e o que não pode, o certo e o errado, como deve agir e em que circunstância.

Ser consciente é dar o exemplo, é agir de acordo com o que ensina, é valorizar a palavra, ser franco e honesto. Caso contrário, a criança começa a desacreditar dos pais e, portanto, não pode confiar no que eles dizem, não conseguindo um diálogo aberto e franco.

Para que a criança desenvolva-se normalmente, ela precisa ter limites. Sem limites claros, firmes, a criança fica insegura, tanto física quanto emocionalmente, sentindo-se desamparada e até abandonada. Algumas restrições justas não prejudicam o amor, enquanto a omissão é sempre prejudicial à criança, porque faz diminuir o afeto e a segurança.

É evidente que a criança sempre enfrenta o limite estabelecido pelos pais. Faz parte do seu aprendizado, porque ela precisa estar segura de que o limite existe mesmo e que é para valer, permanentemente. Ela continuará tentando romper o limite até perceber que ele é justo e que é importante para os pais e para ela. Só então passará a aceitá-lo e respeitá-lo.

Para isto, é preciso que a mãe e o pai sejam coerentes e consistentes. E mais: que estejam de acordo e que um não desautorize o limite posto pelo outro, abrindo exceções do tipo “é só essa vez”. Esses limites, evidentemente, devem ser justos e bem pensados, tendo como objetivo o bem-estar geral e a segurança da criança e não o eventual sossego ou conforto dos pais.

Crianças devem ser educadas com limites e não reprimidas por sucessivos “nãos” e “não pode” a cada atitude que ela toma, a cada ação que ela comece. E o necessário “não”— para impedir que a criança se machuque, para protegê-la ou para evitar que rompa um limite — deve ser dito em tom normal, não agressivo, com firmeza, mas sem alarme, sempre que isto for possível.

A criança precisa aprender a ouvir o “não” e a perceber na negativa uma advertência, um reforço e não um grito de alarme e alerta.

“Deixe seu filho caminhar por onde sua estrela o chama.” Miguel de Cervantes Saavedra

Uma boa prática para os pais é debater o porquê de cada limite para a criança, sobre o que se pretende com ele para a sua educação. Ao estabelecer um limite, devemos ter o cuidado de não criar limites gratuitos, desnecessários e excessivos, inspirados em preconceitos ou preferências pessoais. Limites mal colocados sabotam a liberdade da criança, castram a criatividade, impedem sua capacidade de explorar, prejudicando sua autonomia e comprometendo seu desenvolvimento.

Quem consegue dar aos filhos amor e liberdade, apoio e estímulo, autonomia e limites, coerência e consistência, está dando a melhor educação possível.

LOBO, Luis. Escola de pais: para que seu filho cresça feliz. 2.ed. Rio de Janeiro: Lacerda Editora, 1997.

Autoconhecimento

A cada etapa da vida, as pessoas se conhecem um pouco mais. As pessoas que conhecem suas virtudes e fraquezas se sentem mais seguras para enfrentar o mundo. Essa segurança, por sua vez, ajuda-as a crescer, desligar-se dos pais com amor e levar uma vida autônoma, pensando, agindo e sentindo por conta própria. Para conhecer a si mesmo, no entanto, é preciso assumir responsabilidades, errar e acertar. Assim é possível tornar-se capaz de assumir as consequências das próprias decisões. O papel dos pais é acompanhar os filhos nesse processo, de forma incondicional, impulsionando seu crescimento, sem lhes criar obstáculos.

Delegue Responsabilidades

É importante que, desde pequena, a criança assuma as consequências de seus atos. Quando espalha os brinquedos pela sala e não os guarda, pode perder uma peça do quebra-cabeça ou quebrar um carrinho. Se não faz as lições da escola, os professores pedirão trabalhos extras. Ensine seus filhos a cuidarem da casa e de suas coisas desde pequenos. É importante que aprendam a deixar as roupas em ordem, ajudem a tirar os pratos depois das refeições, e assim por diante, não os envolvendo, claro, em situações de risco.

Quando você delegar determinada responsabilidade a seu filho, deixe que ele se lembre de como e quando deve proceder. Não tente fazer as coisas por ele. Permita que se esforce em busca de um objetivo e sinta a satisfação de tê-lo alcançado com o próprio esforço. Isso lhe dará segurança e autoestima.

Evite atender ao seu filho o tempo todo. Quando ele der “ordens” a você ou a quem cuida dele do tipo “pegue pra mim”, “leve-me”, etc., antes de agir, diga: “Você pode pegar” ou “você pode ir sozinho”.

Acredite na Vida

Quando as crianças crescem em um ambiente em que os adultos são pessoas positivas e acreditam que a vida vale a pena, aprendem a ter confiança no mundo. Crescem com um conceito correto sobre o risco e os perigos, sem falsos temores. Quando as crianças se sentem seguras, ficam mais à vontade para fazer as coisas, conhecer e inventar. Isso lhes permite desenvolver sua independência.

Deixe que seu filho escolha e aja sozinho

Se, desde pequena, a criança tem o poder de decidir o que vai comer ou que roupa usar, terá mais possibilidades de se transformar em uma pessoa independente.

Respeite as escolhas do seu filho, não as menospreze. Você pode lhe oferecer alternativas; por exemplo, pergunte se prefere tomate ou cenoura; qual camiseta gostaria de usar, a branca ou a vermelha. Na hora de dormir, pode perguntar-lhe se prefere escovar os dentes antes de pôr o pijama, ou o contrário.

Não faça por seu filho o que ele é capaz de fazer. Se já pode se vestir sozinho, deixe que o faça; o mesmo se já pode comer com talheres, tomar banho sozinho, estudar, resolver seus problemas.

Você pode ensiná-lo como se fazem as coisas e ajudá-lo a encontrar as soluções para superar obstáculos, mas não aja por ele, muito menos assuma as consequências de seus atos. Deixe-o errar; as falhas são oportunidades de aprender a ultrapassar as dificuldades, desenvolver um conceito de realidade e encontrar soluções por si mesmo. Não exija que a criança faça coisas que não estão ao seu alcance, e lembre-se disto: os fracassos e os erros de seu filho são dele, não seus.

Ensine-o a pedir ajuda

O fato de os filhos serem independentes não significa que sejam completamente autônomos. A independência está associada à segurança e ao critério próprio de escolha. Ensine-os que pedir ajuda não é sinônimo de fraqueza. Quando seu filho estiver fazendo a lição da escola, por exemplo, e não souber algo, mostre a ele que os livros contêm as respostas. Se quer aprender a dirigir e já está na idade de fazê-lo,explique-lhe que existem escolas especiais, onde são ministradas aulas para esse fim. Deixe que ele vá atrás de mais informações.

Vida a Dois

Às vezes, o casal passa a temer os encontros a sós, ou se dá conta de que tem se concentrado apenas nos filhos, esquecendo-se de dar espaço aos seus momentos de intimidade. É importante não privar, por exemplo, os filhos adolescentes da liberdade que lhes cabe apenas por medo de enfrentar os problemas que o casal não tem conseguido enxergar, ou se recusa a fazê-lo, porque um dos parceiros está muito ocupado com os bebês ou as crianças pequenas. Ocasionalmente, a adolescência pode representar para os pais uma ameaça, não porque os filhos sejam rebeldes ou difíceis, mas sim porque, nessa fase, eles passam a viver um pouco mais afastados dos adultos, o que obriga o pai e a mãe a se voltarem para si mesmos como pessoas e como casal.

O erro mais comum dos pais com seus filhos adolescentes é tratá-los como crianças na hora de lhes dar liberdade, e como adultos no momento de exigir que assumam responsabilidade.

Nesse processo, talvez encontrem espaço que não sabem como preencher. É importante que vocês descubram pontos de interesse comuns ou os desenvolvam, preparando-se para as etapas de maior autonomia das crianças e dos jovens, nas quais elas já não necessitam de tantos cuidados diários.

Revista Educar e Aprender. Um guia prático para crescer em família. vol. 4. Editorial Amereida, 2007.

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