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Mães corrigíveis

Padre Zezinho

Pais e mães que pedem desculpas estão mais perto da vida que os que jamais admitem que erram

Os estudiosos de comportamento humano e conselheiros que estudam, analisam, destrincham e sugerem atitudes são unânimes ao aconselhar as mães a tomarem atitudes de semáforo: verde, amarelo e vermelho regulam as relações familiares. Frases que, com o tempo, passam a se incorporar na vida dos filhos marcam a vida em família e os socializam. Graças a isso, a criança não mexe mais na tomada, não brinca com facas nem com talheres e louças da casa. Graças a esses “pode-não-pode”, os filhos aprendem a não correr em certos lugares da casa, a não brincar em poça de água, a não subir na porteirinha nem balançar em cima dela.

No processo de educar para o sim-sim-não-não da vida, as mães precisam falar e repetir essas palavras quantas vezes necessário for, devidamente entremeadas por um “talvez” ou “quem sabe”. As crianças precisam também perceber a sintonia de pai e mãe nas decisões. Assim, não farão o joguinho de “Deixa, pai; mãe deixou”. Filhos precisam desses limites e barreiras, e, quanto mais cedo receberem beijos, carinhos, abraços e proibições — e até repreensões severas, mas nunca agressivas demais —, mais chances terão de obter uma educação sólida, amorosa e exigente.

Mães deveriam ser o oposto de banana passada e mole ou de pamonhas macias demais. Boas mães têm maciez e consistência. O colo deve ser suficientemente macio para que uma criança encontre conforto; e os filhos e filhas adolescentes, o abraço e o beijo dados — mas a palavra deve ser exigente, para que os filhos, não importa a idade, não passem do limite. Fez certo a mãe de setenta anos que, em festa cheia de convidados, não hesitou em dar um tapa no rosto do filho quando este, após ter bebido mais do que devia, diante da própria esposa e da filha, chamou de “potranca” a mulher do sócio. Ante o silêncio de todos, a mãe se levantou de seu lugar, foi até o filho e deu-lhe um solene tabefe na boca. Depois, voltou-se para a comunidade ali presente e disse:
— É bom que ele saiba que ainda tem mãe. Minhas desculpas. Faço isso para que o marido dela não tenha de fazê-lo.
A festa, porém, continuou. O ofensor foi levado embora, mas os outros quiseram ficar, em sinal de solidariedade.

Com o passar dos anos, o copo desestabilizara o homem, mas o tapa bem dado ficava como recado de que ele não tinha o direito de prejudicar a comunidade. Exagerou? Talvez. Mas era ali a hora ou nunca mais!

Padre Zezinho, SCJ. Melhores filhos, melhores pais. São Paulo: Universo dos Livros, 2014. pp. 263-264.

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