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Pais compensam ausência brincando ou oferecendo presentes

Pais compensam ausência brincando ou oferecendo presentes

Há, de fato, uma necessidade de compensar a criança afetivamente pela longa ausência [...] Elas ainda não aprenderam o sentido dessas ausências diárias e podem realmente necessitar de uma reafirmação, digamos assim, do amor e da dedicação dos pais (Zagury, 2003, p.18).

“Brincar” com os filhos não é igual a ter contato com eles; o mais importante é o contato, o convívio sempre, qualquer que seja o tempo disponível, para todas as atividades, em todas as idades, não só para brincar, mas para conversar e discutir assuntos, assistir a espetáculos, à TV, ouvir música ou apenas estar juntos. O convívio transforma qualquer atividade em educação, aprendizado, seja ele prazeroso ou não. O contato cria fantasias mentais, desejos e caminhos para bem administrar estresses e autoconquistas.

Tania Zagury diz: “compensar a criança afetivamente pela longa ausência... Discordo. No dicionário, compensar é “equilibrar um efeito com outro; neutralizar a perda com o ganho, o mal com o bem”.

Atualmente, pais ausentes por variados motivos são a maioria; essa ausência faz parte do modelo sociofamiliar moderno universal, e a criança precisa aceitá--la como normal, a ela se adaptar, como a outras leis naturais, para as quais não há compensação. O afeto, o amor, a atenção e a dedicação dos pais não se relacionam apenas à duração, mas à forma, intensidade e frequência do contato com os filhos, e podem ser excepcionais até por um rápido olhar, aceno, beijo “a distância”, sorriso, contato telefônico ou pela internet. Um provérbio judaico diz: “O sábio, até mesmo quando se cala, diz mais que o idiota quando fala”.

A compensação costuma ter a forma de oferecimento de bens, materiais ou não, mas indevidas, porque não vieram de conquistas por esforços próprios da criança; isso é mimo, que, inclusive, faz a criança preferir a ausência dos pais; repetir o ato por três vezes cria o hábito. Rejeitados, os pais procuram compensar ainda mais para reverter a situação, e se instala o círculo vicioso que leva todos ao desentendimento e rejeição mútua: “Já que meu filho não me quer nem com prêmios de compensação, vou me afastar dele”.

Amor e afeto podem ser sentidos pelos filhos em circunstâncias agradáveis ou não, com pais presentes ou ausentes, desde que estes os ensinem e lhes “cobrem” sua adesão às leis ambientais para que sintam (porque têm) a autoestima e a felicidade autêntica que autoconquistam pela adesão. A felicidade autêntica, em si, já é a “grande compensação”.

Em continuidade, Zagury ressalta: “principalmente das crianças mais novinhas...” (idem, p.18). Também não concordo, porque, desde a vida intrauterina, os filhos recebem informações sobre o seu modelo familiar de que os pais estarão ausentes.

Qual o valor lúdico de “brincar” para os filhos? Ele permite intercambiar e retroalimentar “fantasias” mentais com atividades materiais, responsáveis pela evolução com autoconquistas progressivas para ambos, educadores e educandos. Até os dois anos e meio de idade, a criança brinca na “presença” de terceiros, mas não “com” eles, mesmo que sejam crianças; ela as considera elementos ambientais a serem autoconquistados. Com o raciocínio lógico, as outras pessoas entram nas fantasias e realidades materiais e participam das atividades lúdicas. Portanto, pais brincarem com filhos, dependendo do momento, da disposição geral e da idade das crianças, pode ser ou não a melhor conduta.

Os pais devem ser sempre honestos e autênticos, sem se forçar a nada; devem participar de todas as atividades com seus filhos, brincadeiras ou não, com naturalidade, para que todos se conheçam e se autoconquistem com felicidade plena. Assim, os pais se permitem ser autenticamente conhecidos, evitam que os filhos desenvolvam expectativas diferentes da realidade e fazem com que tolerem leis (embora desagradáveis) e esperem para se satisfazer com os próprios esforços e méritos.

A insegurança comum entre pais ausentes, o receio, o sentimento de culpa, só acontecem quando estes não são bem informados e orientados; se o forem, administram de maneira magnífica seus estresses. E sua segurança faz as crianças felizes, confiantes e autoconfiantes, por considerá-los a verdadeira fonte da sua felicidade.

Comportamentos não esperados dos filhos

Sem dúvida nenhuma, se, desde a infância, a relação com os filhos foi de extrema permissividade, na adolescência qualquer tipo de proibição será muito mal recebido. Não significa que não seja possível reverter o quadro, mas não aconteceria, jamais sem conflitos (Zagury, 2003, p.27).

Concordo plenamente.

A autora cita como exemplo o uso de brincos, que, quando feito por meninos, é apenas uma das inúmeras “vontades” de crianças e adolescentes para imitar seus pares e se incluir nos grupos; se os pais estranham, é porque não foi esperado. Antes, lhes passaram leis não autênticas e, agora, esperam condutas não ensinadas. Com a autoestimulação precoce e continuada desde o nascimento isso não acontece.

Na adolescência, ao se inserir nos grupos e seguir “tendências” (muitas vezes não concordes com as do lar), o autoestimulado opta por grupos com “valores” semelhantes aos do lar; a educação dos pais lhe ensinou o “aqui e agora” com previsão do futuro e modos de planejar que lhe permitem triar, optar e se adaptar a leis ambientais de “hoje” e de “amanhã” com traumas mínimos.

Para o não autoestimulado, os traumas de estresses podem ser amenizados por uma mudança educacional, por meio de estímulos e novas leis que alterem os mapas neurais. Apesar de exigir enormes esforços e sofrimento, vale a pena pelos benefícios a médio e longo prazos.

KLAJNER, Henrique. A autoestimulação e seus reflexos na educação. São Paulo: Marco Zero, 2011.

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