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Meu filho precisa arcar com a culpa, ou a culpa é sempre dos filhos dos outros?

Meu filho precisa arcar com a culpa, ou a culpa é sempre dos filhos dos outros?

Devemos defender nossos filhos sempre, a qualquer custo, seja qual for a queixa, parta de quem partir, escola, vizinhos, amigos? [...] será essa a melhor maneira de os educar? (Zagury, 2003, p. 175).

Os pais questionam como não se omitir nem superproteger seus filhos, uma vez que protegê-los bem no “pacote do seu enxoval”, fruto da herança cultural: a criança carece da máxima proteção, mesmo sabendo que a superproteção é o que mais limita autoaquisições. Considerando-se despreparados, delegam a parentes, pediatras, professores, psicólogos, a responsabilidade por suas orientações.

A natureza confere ao ser humano aptidão para sobreviver e evoluir por autoaquisições, a princípio pelo instinto, depois por fantasias, necessidades, desejos e ação. Segundo Winnicott, a superproteção invade a criança, que “deixa de perceber o mundo real” e de autoconquistar elementos materiais e abstratos, sobretudo os que as frustram diante dos insucessos em suas primeiras tentativas que estimulam a procura de soluções, “treino” para competências e autoestima.

A preocupação maior dos pais é com as crianças que já possuem raciocínio lógico e querem ter sempre “razão incondicional”. Mas, se chegam a querê-la, é porque “sempre” costumam tê-la vivenciando superofertas, dependência e incompetências. Quando a criança é superprotegida até os três anos de idade, instala-se a dependência afetiva de pais e cuidadores, que tende a se tornar indelével (amadurece a janela de Piaget). Então, impõe-se uma de duas opções: ou manter a superproteção, ou proceder segundo a autoestimulação precoce e continuada, como condutas corretivas trabalhosas, mas breves, temporárias, de sucesso garantido, embora sua aplicação exija persistência e paciência dos educadores diante de enfrentamentos que os tentam a desistir, dizendo: “se Deus quiser, e Ele há de querer, algum dia tudo se resolverá ‘espontaneamente’”.

Tania Zagury preconiza que devemos nos desarmar, abandonar as culpas, o medo da crítica e a insegurança, e analisar e tomar decisão mais acertada, sugerindo que “devemos sair da superproteção, da insegurança e medo pela orientação inadequada recebida e que tomemos pé da realidade” para conhecer, analisar e decidir à luz da razão. Isso não é fácil, e a autora não diz como proceder. E por saber “o que” fazer, mas não “como fazer”, a maioria adia as mudanças que a autoestimulação precoce e continuada permite tão facilmente. Concordo com Tania Zagury (pp.176-178) quando diz:

“Acho que a melhor forma de demonstrar amor pelos filhos é sendo carinhoso, ouvindo-os com tempo, respeitando-os [...] mas, também, é dar segurança mostrando-lhes o mundo, preparando-os para serem amados por outros também [...]” (grifos nossos).

O problema é confundir amar com superofertar presentes, presença integral incondicional, beijar e abraçar muito, modos de compensá-los por ausências, mas que mais demonstram insegurança, falta de autoconfianças, que não permite aos filhos chegar à aderência às leis e autoconfianças. Dalai-Lama disse: “A compaixão mata, só o amor constrói” (Dalai e Goleman, 2003, p.53); e Tania Zagury confirma: “A melhor forma é educá-los, permitindo vê-los produtivos, seguros, responsáveis, respeitadores, amando e sendo amados, honrados, tornados seres humanos [...]” (2003, p. 177 – grifos nossos).

Na educação dos filhos, o amor também não dispensa disciplina, ritmo e limites naturais, que permitem a adquisição da noção do bem e do justo em cada situação da vida.

KLAJNER, HENRIQUE. A autoestimulação e seus reflexos na educação. São Paulo: Marco Zero, 2011.

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