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Enriquecendo a afetividade

Enriquecendo a afetividade

Se seu filho ou sua filha tem um bom relacionamento com você e recebe amor, atenção, apoio e compreensão, ótimo. Mas é sempre bom cuidar de enriquecer a afetividade dele(a), permitindo e promovendo o relacionamento com outras pessoas, parentes ou não. E, para que esse relacionamento seja bom e verdadeiramente enriquecedor, é preciso que a criança esteja segura e tenha aprendido a confiar. Caso contrário, insegura e desconfiada, ela pode ver qualquer estranho como uma ameaça.

Quando ela aprende a confiar nos pais, também aprende a confiar nela mesma, o que faz com que seja mais fácil confiar nos outros. Isso não quer dizer que vai simpatizar ou gostar de qualquer um, automaticamente e de imediato. Nem mesmo de parentes chegados. Se você se dá bem com eles, é quase certo que a criança também se dê; mas se ela percebe que você faz restrições ou tem um relacionamento frio e distante, não espere que ela respeite e ame.

Os avós ocupam, normalmente, um lugar único na vida de uma criança. Quase sempre são muito orgulhosos dos netos, expansivos e carinhosos com eles. Geralmente, são mais experimentados, mais compreensivos e aceitam melhor a criança como ela é, inclusive porque não têm a responsabilidade de educá-la nem o dever de impor-lhe limites.

Na nossa tradição, com os avós, a criança pode tudo. Fazendo as vontades dos netos, os avós acabam formando com eles uma sociedade de administração mútua que, algumas vezes, chega a incomodar os pais. O que eles alegam é que os avós “estragam” as crianças, o que só pode vir a ser verdade se a criança passa mais tempo com os avós do que com os pais. Mesmo assim, com a responsabilidade de educá-la, é quase certo que o comportamento dos avós passe a ser mais rígido. Quando moram todos juntos e os avós contradizem permanentemente os limites impostos pelos pais, aí sim, a situação é de conflito, confundindo muito a criança. Nesse caso, é preciso uma conversa muito franca com eles, porque a criança não pode ser prejudicada: os limites têm que ser coerentes e consistentes, quer dizer, valer para todos, o tempo todo. Toda criança deveria ter o direito de conviver com os avós e de relacionar-se com pessoas mais velhas. Sua indulgência não prejudica a educação da criança e o rompimento apenas eventual de limites é entendido pela criança como episódio isolado, coisa de avô ou de avó, que ela aproveita, mas, que não chega a abalar o valor daquele limite.

Se os avós puderem entender que já tiveram a vez de criar os próprios filhos a seu modo e que seus filhos merecem a mesma oportunidade (porque não é só a experiência que conta), talvez não interfiram demais na educação dos netos.

Por outro lado, se pudermos entender que, para nossos pais, nós ainda somos seus filhos, muito mais do que os pais dos seus netos, vamos aceitar melhor algumas interferências. Até porque eles, de fato, têm experiência e podem funcionar como um poder moderador. O certo é que os avós têm direito aos netos; e vice-versa.

Para que todos aproveitem bem a companhia uns dos outros, sem choques, os avós mais experientes sabem que é melhor interferir o mínimo possível nos métodos e processos que os pais usam para educar os filhos.

Na família que se dá bem, os filhos, por sua vez, procuram entender que é natural e até desejável que os avós afrouxem um pouco os limites, sem contradizê-los. E que sejam mais codescendentes. Havendo amor, os problemas se resolvem com mais facilidade, principalmente, se você puder fazer com que a criança perceba que a regra e o limite continuam valendo e que as concessões dos avós são apenas passageiras. Para que a criança não fique confusa, ela precisa entender claramente que os pais é que determinam a educação.

Os avós, naturalmente, querem ter todas as vantagens, assumindo poucas das
desvantagens. Os pais devem ver isso como um direito, que um dia também vão
herdar, quando tiverem os próprios netos.

Conviver com pessoas mais velhas — com problemas, interesses, conversas e
atitudes diferentes — é muito bom, uma experiência muito enriquecedora para
as crianças, não só por toda a vivência com que vai tomar contato, mas principalmente do ponto de vista afetivo.

LOBO, Luiz. Escola de pais: para que seu filho cresça feliz. Ed. 2. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1997.

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