espirais

Apoio PedagógicoApoio Pedagógico

Edições Anteriores

Cadastro

Cadastre-se para receber
mensalmente em seu e-mail.


Seus filhos não precisam de gigantes

Seus filhos não precisam de gigantes

A individualidade deve existir, pois ela é o alicerce da identidade da personalidade. Não há homogeneidade no processo de aprender e no desenvolvimento das crianças (VIGOTSKY, 1987). Não há duas pessoas iguais no universo, mas o individualismo é prejudicial.

Uma pessoa individualista quer que o mundo gire em torno de sua órbita, sua satisfação está em primeiro lugar, mesmo se isso implicar o sofrimento dos outros.

Uma das causas do individualismo entre os jovens é que os pais não cruzam a sua história com a de seus filhos. Mesmo que você trabalhe muito, faça do pouco
tempo disponível grandes momentos de convívio com seus filhos. Role no tapete. Faça poesias. Brinque, sorria, solte-se. Perturbe-os prazerosamente.

Certa vez, um filho de nove anos perguntou a um pai, que era médico, quanto ele cobrava por consulta. O pai disse-lhe o valor. Passado um mês, o filho aproximou-se do pai, tirou algumas notas do bolso, esvaziou seu cofre de moedas e disse-lhe com os olhos cheios de lágrimas: “Pai, faz tempo que eu quero conversar com você, mas você não tem tempo. Consegui juntar o valor de uma consulta. Você pode conversar comigo?”

Seus filhos não precisam de gigantes, precisam de seres humanos. Não precisam de executivos, médicos, empresários, administradores de empresa, mas de você, do jeito que você é. Adquira o hábito de abrir seu coração para os filhos e deixá-los registrar uma imagem excelente da sua personalidade. Sabe o que acontecerá? Eles se apaixonarão por você. Terão prazer em procurá-lo, em estar perto de você. Quer coisa mais gostosa do que isso? A crise financeira, as perdas ou as dificuldades poderão arremeter-se sobre a relação de vocês, mas, se ela tem alicerces, nada a destruirá.

De vez em quando, convide os seus filhos para almoçar ou fazer programas diferentes com eles. Diga o quanto eles são importantes para você. Pergunte como está a vida deles. Fale sobre seu trabalho e seus desafios. Deixe seus filhos participarem da sua vida. Nenhuma técnica psicológica funcionará se o amor não funcionar.

Se você estiver passando por crise no trabalho, mas tiver paz na sua casa, será
um ser humano feliz. Porém, se você tiver alegria fora de casa e viver uma batalha na família, a infelicidade será sua amiga. Muitos filhos reconhecem o valor dos seus pais, mas não o suficiente para admirá-los, respeitá-los, tê-los como mestres da vida. Os pais que estão tendo dificuldades com os filhos não devem sentir-se culpados. A culpa engessa a alma. Na personalidade humana, nada é definitivo, e você pode reverter esse quadro. Você tem experiências riquíssimas que transformam sua história em um filme mais interessante do que os de Hollywood. Se você duvida disso, é porque talvez nem se conheça e, pior ainda, nem mesmo se admire.

Liberte a criança feliz que está em você. Liberte o jovem alegre que vive na sua
emoção, mesmo que seus cabelos já estejam embranquecidos. É possível recuperar os anos. Deixe seus filhos descobrirem seu mundo.

Abra-se, chore e abrace-os. Chorar e abraçar são mais importantes do que dar-
-lhes fortunas ou fazer-lhes montanhas de críticas.

CURY, Augusto Jorge. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

Todos os direitos reservados | Desenvolvido pela

Tante