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Automotivação

Automotivação

Quando o indivíduo tem compromisso com sua essência, a vida não se torna um fardo pesado de carregar.

Roberto Shinyashiki

 

A automotivação é mais uma ferramenta para o profissional de qualquer área. Quantas vezes esperamos uma motivação, como um aumento de salário, uma nova posição no trabalho, um reconhecimento, um elogio, mas nada disso chega?

Automotivação é a capacidade que temos de encontrar uma razão, uma força ou um objetivo para fazer algo exclusivamente por nossa vontade, e não em função de outra pessoa. 

Quando mudamos de trabalho, nossa expectativa é a melhor possível. Estamos com nossa autoestima e nossa autoimagem elevadas. A motivação está estampada e todos percebem. Com o passar do tempo, contudo, problemas pessoais e profissionais inevitavelmente começam a surgir, e a motivação, a desaparecer. Já não nos sentimos tão animados, nossa autoestima cai e nossa autoimagem se enfraquece... É uma bola de neve. 

A motivação está dentro de nós. Da mesma forma, a felicidade, a alegria e a vontade de sonhar estão dentro de cada ser. Cada indivíduo é capaz de criar e proporcionar a si próprio e àqueles que estão à sua volta uma renovação. A palavra é esta: renovação. Renovar é preciso e em várias etapas de nossa vida. O medo de realizar, de tentar, muitas vezes nos impede de renovar.

É comum educadores desqualificarem o próprio trabalho, tachando-o de ruim, como se fosse feito sem prazer, apenas para o cumprimento do dever. Isso nos leva sempre a lembrar daqueles que SÃO educadores e daqueles que ESTÃO educadores. O trabalho deve ser um prazer. Aqueles que são educadores, que são apaixonados e compromissados com o que realizam, conseguem ir além da excelência, pois sua vontade de realizar faz que seu trabalho seja prazeroso para si mesmo e também para os que o cercam. Já aqueles que apenas estão educadores, por uma série de questões, seja salarial, seja por falta de oportunidade, corrompem a si próprios e, além de não se motivarem, atrapalham os que se destacam, que realizam, que fazem realmente a diferença.

Passamos cerca de quarenta anos de nossa vida trabalhando. Se não encontrarmos dentro de nós a vontade de criar e aquela força que nos toma sempre que conseguimos realizar algo tão sonhado, de nada adianta levantar cedo, dirigir-se ao local de trabalho, trabalhar e se sentir um inútil no fim do dia.

Certa vez, uma professora me contou que em sua escola existiam muitos problemas: as salas eram cheias, a escola não tinha materiais, ela tinha de levantar muito cedo e trabalhar muitos períodos para conseguir ganhar um salário razoável. Além disso, dizia que em sua casa havia muitos conflitos: os filhos brigavam o tempo todo. Ela me disse também que “eu precisava conhecer o seu marido para entender o porquê de tanta desmotivação”. Incrível como o efeito dominó sempre está presente. A falta de motivação causa desânimo, que causa a baixa autoestima, que causa a desmotivação do profissional. Isso, por sua vez, é refletido no relacionamento familiar...

Tragicamente, conhecemos muitos exemplos de profissionais que morrem em vida. Que deixam de sonhar, de realizar, de construir. 

Se analisarmos a história, a época em que o saber era privilégio de poucos e considerado um pecado, temos um bom motivo para continuar a construir o conhecimento. Hoje, vivemos na era da informação e, ironicamente, muitas pessoas continuam desatualizadas e distantes. 

Se cada um tiver a consciência do seu papel e o quanto ele pode ajudar o outro, já encontra nessa forma de pensar uma motivação. 

Quantas pessoas reclamam por apenas ter bananas para comer, enquanto alguns esperam para comer as cascas que sobram? Há sempre alguém pior, com dificuldade para realizar simples atividades como caminhar, comer, falar... 

Mas somos dotados de muitas qualidades. Ninguém foi feito para sobrar.

O conto de domínio público “A rosa e o sapo” exemplifica essas situações de forma especial:

“Em um jardim, existia uma rosa muito bonita, que se envaidecia em saber que era a mais linda daquele jardim. Porém, ela começou a perceber que as pessoas só a observavam de longe. Então se deu conta de que ao seu lado havia sempre um sapo grande, feio e asqueroso, razão pela qual as pessoas não se aproximavam dela. Indignada com a descoberta, a rosa ordenou que o sapo saísse de perto imediatamente. O sapo, muito humildemente, foi embora e se afastou de vez. Tempos depois, o sapo passou próximo de onde estava a rosa e se surpreendeu ao vê-la murcha e sem pétalas. Penalizado, perguntou a ela o que havia acontecido. 

Muito envergonhada, a rosa explicou a ele que, desde que fora embora, as formigas se aproximaram e passaram a comê-la, dia após dia, por isso estava acabada, sem vida e sem sua beleza tão adorada pelos outros. 

Quando estava por perto, o sapo comia todas as formigas que se aproximavam, por isso a rosa conseguia ser a mais bonita do jardim...”

O ser humano é sociável por natureza. Foi criado para viver com seu semelhante, e a mágica da vida é justamente esta: viver e conviver. Acontece que muitos de nós vivem dentro de um mundo pequenino, onde são o centro, a beleza suprema e a excelência propriamente dita. Por causa disso, muitas vezes cometemos o equívoco de não valorizar os outros por nos acharmos superiores, mais bonitos, mais valorosos. Entretanto, esse pensamento deve ser exatamente o oposto: quando conseguimos valorizar o outro, estamos valorizando a nós mesmos.

A cada espaço, a cada olhar, a cada gesto existe uma forma de expressão, e não podemos nos esquecer da linguagem mundial: educação. Nossa motivação deve ser o combustível que rege todas as outras situações. Acreditar em si, amar-se e amar o outro é proporcionar uma vida melhor para nosso eu e para aqueles a quem dedicamos nosso tempo, nossas palavras, nossa vida.

De repente, aquele que você pensa estar lhe fazendo o mal esteja, na verdade, salvando-o das formigas.

Adaptado para fins didáticos

SANCHES, William. Pedagogia do compromisso: responsabilidade na prática do educador. São Paulo: Mundo Mirim, 2009.

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