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Aluno destaque ou sala destaque?

Aluno destaque ou sala destaque?

“A motivação, ao contrário do uso popular do termo, não é uma série de truques que o professor usa para produzir a aprendizagem, mas é um processo que pertence ao aluno.”

(Snyggi D.)

 

Os motivos têm uma função energizante; eles provocam o comportamento. Assim, a motivação do trabalho escolar depende, mais do que de recompensas, ameaças e castigos, da intenção que o aluno tem de aprender, do conceito adquirido sobre si mesmo, do professor e do ensino, da autoconfiança alcançada, da liberdade e do respeito vivido no ambiente escolar.

Para o processo de aprendizagem, segundo Marilene Rodrigues, não é o número de práticas que é o mais importante, mas, sim, o resultado das conexões aprendidas. Se ele for satisfatório, autorealizador e gratificante, a força da conexão é aumentada; se, ao contrário, for insatisfatório, tedioso e irritante, tende a desaparecer pelo esquecimento (Lei do Efeito Thorndike).

 

Prêmios e castigos

Promessas e recompensas, ameaças e punições constituem o processo de ensino mais usual em nossa sociedade. Uns e outros agem como reforços ou reforçadores positivos e negativos de aprendizagem. Os prêmios, em geral, tendem a auxiliar o processo de aprendizagem, o que parece óbvio, mas também os castigos parecem fazê-lo com similar eficácia.

A necessidade de progredir e de ver esforços pessoais reconhecidos com justiça é, para todos os indivíduos, um incentivo natural à sua evolução e aprendizagem.

Durante a infância e a adolescência, a insatisfação a essas necessidades é particularmente crítica, uma vez que, durante a meninice, o desejo de independência e individualizar-se constituem progressão natural imperiosa que, inclusive, prepara o indivíduo para viver adequadamente a fase juvenil, durante a qual a necessidade de autoafirmação, o desejo de valorização, de enfrentar desafios e de ter reconhecidos os valores pessoais são bastante intensos.

A gratificação e o êxito contribuem para fixar atitudes positivas e desejáveis de modo dinâmico. Ao contrário, a derrota e a humilhação, em nível excessivo de tensão, nada mais fazem do que provocar comportamentos altamente negativos e comprometedores, não só do equilíbrio psicoafetivo do indivíduo, como do meio social em que ele se insere, injusto, contínuo e doentiamente derrotado.

Se gratificado, a aprendizagem do aluno poderá processar-se integralmente, se bem que não em nível ótimo, pois, para atingi-lo, as motivações devem ser necessariamente intrínsecas.

Se as motivações forem intrínsecas, ao professor cabe apenas despertá-las; tanto o sucesso como o fracasso serão sentidos e assimilados como experiências enriquecedoras.

Nesse caso, ambos serão igualmente questionados pelo próprio sujeito que, sem grande ou nenhuma ansiedade, poderá discuti-los, dimensioná-los e aproveitá-los com a mesma produtiva dignidade.

 

Conclusão

Acreditamos que o quadro de “aluno destaque” pode, sim, tornar o aluno isolado ou discriminado pelo grupo, autoconfiante demais, podendo causar nele o sentimento de autossuficiência, além de que, em outros alunos, o fato de não ser destaque pode gerar um sentimento de frustração e incapacidade.

Portanto, seria interessante utilizar-se de um critério mais abrangente, um olhar mais global em relação ao desempenho de nossos alunos. Não olhar para ele como um gerador de notas, mas alguém que precisa desenvolver seu caráter, sua personalidade e sua cidadania. Partindo desse ponto de vista, o aluno destaque seria aquele que traz consigo, além do compromisso em sala de aula e aproveitamento, um compromisso com a cidadania, responsabilidade, caráter e personalidade fundamentados no saber, honra e disciplina que o colégio procura proporcionar. Conforme Serrão e Balleiro: “Educar para a cidadania é construir e/ou fortalecer a autoestima, o autoconhecimento e o conhecimento dos outros, de modo a possibilitar a inserção no coletivo, percebendo-se como alguém com direitos e deveres e como agente de transformação social responsável e consciente dos seus próprios limites”.

A sala destaque deve ser decidida pelos docentes em conselho de classe, no qual o critério nota fosse o menos importante; e, para a escolha de sala destaque nas disciplinas específicas, os critérios a serem avaliados seriam:

Comportamento:

• Respeito aos professores, colegas e funcionários.

• Bom relacionamento no colégio.

Aproveitamento:

• Interesse e participação.

• Entrega de trabalhos em dia.

• Cadernos e apostilas em dia.

• Frequência.

• Sala mais empenhada em projetos sociais.

 

A sala com maior conceito pelo corpo docente seria então denominada sala destaque.

Isso estimularia o aluno a trabalhar em equipe, a se comprometer mais com a aprendizagem, a ter atitudes melhores em relação a si mesmo e aos outros, e não ficar preso somente em notas.

A sala destaque deve ficar em um quadro onde seja possível a visualização fácil por todos os alunos.

Dessa forma, facilitaríamos o desenvolvimento de comportamentos e atitudes adequados à formação do caráter, personalidade e espírito crítico, além do exercício pleno da cidadania, melhoria de problemas de disciplina em sala e melhor processo de conhecimento, com maior entrosamento da sala. Além de diminuir os problemas de indisciplina, facilitaria para a equipe técnica a visualização dos pontos sensíveis a serem tratados em cada sala.

O quadro destaque, então, serviria não para aumentar a competitividade entre os alunos (em que cada um se trata como adversário, em vez de companheiro), mas para “aumentar a confiança do aluno em sua própria capacidade” (Pilleti, p. 168, 1999).

 

Revista ABC Educatio. São Paulo: Criarp. Ano. 5, nº. 40, p. 22, 23.

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